Plantas invasoras. Afinal o que são?

#ConhecimentoNatural. Rubrica de educação e sensibilização ambiental para a revista RaízesMag. Volume 7 _ set/out 2019

Já todos ouvimos falar de 'plantas invasoras'. Mas sabem o que faz com que uma espécie de planta seja ou não uma invasora?


A esmagadora maioria das espécies vindas de outras partes do mundo e introduzidas em Portugal nunca se tornaram invasoras. Aliás, muitas plantas usadas na base da nossa alimentação foram introduzidas no nosso país!


Existem vários termos para classificar as espécies existentes num local:

Nativa: natural de um local, tal como dizemos das pessoas. O mesmo que autóctone, indigena ou espontânea.

              Endémica: é uma planta nativa, e que só ocorre num determinado sítio, por exemplo Portugal ou uma serra.

Exótica: recolhida, transportada e plantada pelo Homem noutro local. Sobrevive, mas não se consegue reproduzir. Fica restrita aos locais onde foi plantada.

Casual: exótica que consegue reproduzir-se pontualmente, mas não cria nem mantem uma população. Exige plantações regulares.

Naturalizada: exótica que se reproduz e mantem populações saudáveis. Existem em equilíbrio sem causar dano às plantas nativas.

Invasoras: naturalizada que se reproduz em grande quantidade e cujas populações se disperam muito. Podem ter impactes muito significativos nos ecossistemas.

Infestante: nativa ou exótica não desejada em certo local por interferir com objetivos humanos, em geral com prejuízo económico.


Das espécies exóticas introduzidas em Portugal, mais de 45% transformaram-se em casuais. Cerca de 25% naturalizaram-se e apenas cerca de 8% se transformaram em invasoras.


Uma espécie naturalizada está em equilíbrio com o ambiente e com as outras espécies com as quais convive, entrando, sem causar danos, num ecossistema que evoluiu ao longo de milhares de anos. Transforma-se em invasora, quando há um estímulo que quebra este equilíbrio e a leva a reproduzir-se de tal forma que a sua distribuição aumenta rapidamente, causando uma invasão biológica.

Este estímulo pode ter origem natural, como um incêndio, tempestade ou adaptação de um agente dispersor de sementes ou polinizador, ou ser causado peloHomem, como alteração do uso do solo, controlo de outra espécie invasora, etc.


Na maioria das vezes, estas situações são dispendiosas e difíceis de solucionar, por vezes mesmo irreversíveis, e têm quase sempre impactos negativos, como por exemplo:

Económicos: quando invadem produções agrícolas, florestais ou piscícolas, na aplicação de medidas de controlo e na recuperação da área invadida. Na Europa, estimam-se valores superiores a 12,5 mil milhões de euros por ano.

Saúde pública: quando provocam doenças, alergias ou são vetores de pragas.

Diminuição da disponibilidade de água: quer porque a planta consome muito este recursos, quer porque a sua populaçãoatinge uma densidade elevada.

Desequilíbrio dos ecossistemas: alteração dos ciclos de carbono, azoto, etc.; alteração do regime de fogo; alteração da cadeia alimentar; competição com espécies nativas, podendo mesmo substituí-las totalmente.


Algumas invasoras em Portugal:

Acácias (várias espécies) - Acacia spp                         Azedas - Oxalis pes-carae

Jacinto de água - Eichhornia crassipes                        Tintureira - Phytolacca americana

Eucalipto comum - Eucalyptus globulus                      Erva da fortuna - Tradescantia fluminensis

Rícino - Ricinus communis                                           Piteira - Agave americana

Cana - Arundo donax                                                    Chorão da praia - Carpobrotus edulis

Avoadinhas - Conyza spp                                              Figueira da Índia - Opuntia ficus-infica

Penachos - Cortadeira selloana                                    Bons dias - Ipomoea indica

Gigante - Gunnera tinctoria


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