As zonas húmidas

Ria Formosa

Lagoa de Santo André




#ConhecimentoNatural

Rubrica de educação e sensibilização ambiental para a revista RaízesMag.

Volume 3 _ jan/fev 2019

Dia 2 de Fevereiro assinala-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Foi neste dia, em 1971, na Cidade de Ramsar, Iraque, que se adotou o Tratado Intergovernamental de Proteção das Zonas Húmidas de Importância Internacional. Também conhecido como Tratado de Ramsar, é o primeiro tratado global sobre conservação. Estas zonas são assim chamadas Sítios Ramsar.


Estas zonas abrangem todos os ambientes aquaticos do interior e a zona costeira marinha. Por exemplo: zonas de sapais, pântanos, turfeiras, charcos, permanentes ou temporários, de água doce ou salgada, estagnada ou corrente, natural ou artificial. Estes sítios são reconhecidos pela sua importância internacional, a partir de uma série de critérios do ecossistema, de valores sobre a fauna e flora e da sua importância para a conservação de aves aquáticas e peixes.


A convenção foi adotada por 161 países, em todos os continentes, com cerca de 2.200 sítios indicados, cobrindo mais de 215.247.800 ha. Portugal assinou e ratificou a convenção em 1980. Assim, ficou obrigado a designar zonas para incluir na lista internacional, elaborar Planos de Ordenamento e Gestão para cada uma destas zonas, com vista à sua utilização sustentável e promover a conservação de Zonas Húmidas e de aves aquáticas, através de Reservas Naturais com proteção adequada.

Esta entrou em vigor em 1981. Com as últimas entradas na lista, Portugal contra com 31 Sítios Ramsar, que totalizam cerca de 132.488 ha.


Estas zonas não só recebem água da chuva, de reservatórios naturais subterrâneos e de outras zonas húmidas, como rios e ribeiras, mas também devolvem água a estes locais.

Este pequeno facto, pode à partida parecer simples, mas confere a estas zonas caraterísticas muito importantes:

- Absorvem e retêm água de grandes chuvadas, e a vegetação reduz a velocidade da corrente, assim controlam inundações e erosão so solo.

- Retêm água durante longos períodos, por isso retêm tambem substâncias poluentes, algumas das quais acabam por se transformar e tornar inofensivas.

- Durante a estação seca em climas áridos, estas zonas libertam água, atrasando as secas e minimizando a falta de água.

- Fornecem água doce a reservatórios naturais subterrâneos, usados por nós para vários fins.

- Algumas estão presentes o ano todo, outras em certas épocas, assim, alimentam e abrigam aves migratórias e outras espécies. Têm muita importência durante a época de reprodução.


Estas zonas estão quase todas ligadas, através de uma rede extensa, à superfície e no sobsolo, pelo que além de distribuírem água pelo globo, distribuem também substâncias poluentes, como químicos de fábricas, fertilizantes ou mesmo plástico! Este último, que não se decompõe, apenas se parte até micro- e nano-plástico, viaja por estas águas, infiltra-se no solo, é absorvido por plantas e ingerido por animais.


A presença de vegetação nesas zonas, também lhes confere importância: Reduz a ação do vento, ondas e correntes, assim, as zonas húmidas costeiras oferecem proteção contra tempestades a 60% da humanidade, que vive ou trabalha perto das linhas de costa.


As turfeiras, representam 3% da superfície terrestre, mas retêm aproximadamente 30% de todo o carbono vindo da terra, duas vezes mais que todas as florestas do mundo juntas!


Apesar da sua importância, estas zonas foram durante muito tempo vistas como locais que deveriam ser secos para permitir a construção, em especial aquelas mais próximas de zonas urbanas. Foram também profundamente alteradas com construção de barragens, remoção de vegetaçãp das margens, etc. Ao longo so século XX, estes locais foram reduzidos para metade.


As Zonas Húmidas, restauradas, bem geridas e conservadas, são um elemento chave para nos ajudar a mitigar e lidar com as alterações climáticas.


#Tutisfore - conhecer para proteger

#RaízesMag