A floresta e o Natal

Musgo trançado comum

Gilbardeira




#Conhecimento Natural.

Rubrica de educação e sensibilização ambiental para a revista RaízesMag.

Volume 2 _ nov/dez 2018

As florestas são o ecosssistema que faz a maior percentagem de fixação de carbono. Estão aqui, armazenadas nas árvores e no solo, cerca de 26 milhões de toneladas de carbono.


Além disto, a qualidade da água que bebemos está relacionada com a saúde das nossas florestas, não só acima do solo, como abaixo deste. As florestas retêm incríveis quantidades de humidade do ar, que acaba por se infiltrar, juntamente com água da chuva e é depois filtrada até aos lençóis freáticos e aquíferos, reaparecendo mais tarde em fontes de ribeiras e rios, ou sendo recolhida em poços e minas.


É também nas florestas que encontramos a maior biodiversidade. De plantas, animais, fungos e bactérias, todos a viver num equilíbrio dinânico, intrincado e sensível.


O Natal está a proximar-se, e com ele, tipicamente chega uma procura e recolha excessiva de algumas espécies das nossas florestas, como musgo, azevinho e gilbardeira. As duas últimas foram recolhidas em tão grande número que ficaram em perigo.


Mas o que são estas plantas?

Musgos

Os musgos e os seus 'primos' estão inseridos num grupo ao qual se chama Briófitos. Embora pequenas, estas plantas têm extrema importância ns vários ecossistemas onde são encontradas, e as florestas não são excepção.

Ajudam a fixar carbono e azoto, a reciclar nutrientes, e a estabilizar a superfície do solo e das rochas. São super eficientes a reter água, o que significa que são muito importantes para a regulação do ciclo hídrico. Apesar de tudo, algumas delas são sensíveis à poluição, o que faz delas bons bioindicadores. Os musgos podem ser considerados pequenas florestas em si, uma vez que criam em si 'pequenos ecossistemas' que são casa de vários fungos e animais.


Dois exemplos:

Musgo trançado comum. Hypnum cupressiforme. É o mais apanhado no Natal para usar nos presépios.

Musgo capuz vulgar. Orthotrichum tenellum. É talvez o mais frequente em Portugal.


Azevilho Ilex aquifolium

É um arbusto que mantém as folhas, verdes e brilhantes, durante todo o ano. A mesma planta pode ter folhas com e sem espinhos. É uma espécie nativa do nosso país. As versões selvagens desta planta são dioicas. Palavra estranha? Significa que alguns indivíduos são fêmea, e outros, macho, exatamente como em nós, humanos. Apenas as fêmeas têm frutos, que se parecem com pequenas bolinhas vermelhas e brilhantes, com contraste com a folha. Aparecem a partir do verão e ao longo do inverno. Por este motivo, foi tão procurada e colhida, que em Portugal está em vias de exinção.

É proíbido colher, transportar e comercializar em Portugal continental.


Gilbardeira Ruscus aculeatus

É um arbusto, natural de todo o território português, com até 1 m de altura. Esta planta esconde um incrível segredo! Quando olhamos para ela, o que julgamos serem folhas, são na verdade os ramos, achatados/ laminados e especialmente adaptados à obtenção de energia: função fotossintética. É nestas partes do caule que podemos encontrar pequenas folhas e flores. Esta é uma planta monoica. Outra palavra estranha? Significa que no mesmo indivíduo existem flores masculinas e flores fimininas. Destas últimas nascem os frutos, bolinhas vermelhas que em contraste com o verde das folhas (isto é, os ramos) faz lembrar o azevinho. Por esta razão a Gilbardeira é muito apanhada na altura do Natal, antes que os frutos possam levar ao crescimento de novas plantas. Assim ela foi inserida nas lista de espécies com interesse de conservação na Europa. Os seus frutos são alimento se vários animais, mas tóxicos para os humanos.


#Tutisfore - conhecer para proteger

#RaízesMag